“Sam lutava contra o próprio cansaço, e segurou a mão de Frodo, e assim, sentado, até que a noite profunda caiu. Então, por fim, para manter se acordado, saiu do esconderijo e ficou observando. A região parecia cheia de estalos, rangidos e ruídos dissimulados, mas não havia som de vozes ou passos. Bem acima dos Ephel Dúath, no oeste, o céu noturno estava pálido e baço. Lá, espiando por entre os restos de nuvens sobre uma rocha pontiaguda nas montanhas, Sam viu uma estrela branca reluzir por uns momentos. Sua beleza arrebatou-lhe o coração, quando desviou os olhos da terra desolada, e ele sentiu a esperança retornar. Pois como um raio, cristalino e frio, invadiu-o o pensamento de que afinal de contas a Sombra era apenas uma coisa pequena e passageira: havia luz e uma beleza nobre que eram eternas e estavam além do alcance dela. A canção que cantara na torre fora mais um desafio que uma esperança, pois naquela hora pensara em si mesmo. Agora, por um momento, sua própria sorte, e até a de seu mestre, deixaram de preocupá-lo. Sam voltou às sarças e se deitou ao lado de Frodo, e, deixando de lado todo o medo, mergulhou num sono profundo e despreocupado.”
O Retorno do Rei - Livro VI
Capítulo II - A Terra da Sombra
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