18 setembro 2016

Resenha: O Silmarillion - J.R.R. Tolkien

Saudações caros leitores, retornando as resenhas das obras do Professor, dessa vez com O Silmarillion, uma das obras mais importantes do Legendarium, o livro que conta a origem não apenas da Terra-Média, mas de todo fantástico universo criado por Tolkien. 

Fingolfin's Challenge - John Howe

Acredito que seja mais que natural para aqueles que leem O Hobbit e O Senhor dos Anéis, ansiar por mais alguma história da Terra-Média, visitar novamente o verdejante Condado, as planícies de Rohan, os Salões de Erebor, e até mesmo a terra inóspita de Mordor. É aí que entra O Silmarillion, mas não da maneira que a maioria espera...


Lançado em 1977, O Silmarillion conta a gênese da Terra-Média, partindo da criação do Mundo, do surgimento de seus primeiros habitantes, e se dedicando principalmente a Primeira Era. Há ainda a narrativa da Segunda Era, com a queda de Númenor e da Terceira Era, época da Guerra do Anel, mas não espere uma história sobre hobbits.

Dividido em cinco partes, O Silmarillion foi escrito por Tolkien no decorrer de vários anos, ele até tentou publicá-lo entre o lançamento de O Hobbit e de O Senhor dos Anéis, porém foi recusado, sendo publicado apenas postumamente, graças aos esforços de seu filho e herdeiro literário Christopher Tolkien.

Quando terminei a leitura de O Hobbit minha sede pela Terra-Média só tinha aumentado, eu precisava de mais material de leitura, já que a Trilogia do Anel tinha sido meu primeiro contato com a obra do Professor. O Silmarillion era mais que perfeito pra esse momento. Quando comecei a lê-lo não tinha noção do que ia encontrar, mas a cada página lida, pude vislumbrar os primórdios da querida Terra-Média, muito diferente e distante daquela da Guerra do Anel. Uma época cheia de maravilhas, porém, onde a sombra era muito mais forte.

A seguir farei alguns comentários breves sobre o conteúdo de cada parte. 


ALERTA: O texto abaixo contém informações que podem ser consideradas spoilers!

"No entanto, as mentiras plantadas por Melkor, o poderoso e maldito, Morgoth Bauglir, o Poder do Terror e do Ódio, nos corações de elfos e homens. São uma semente que não morre e não pode ser destruída. E de quando em quando ela volta a brotar; e dará frutos sinistros até o último dos dias."



Ainulindalë (A Música dos Ainur)
Como toda mitologia, tudo começa com a criação do mundo (Arda). Temos a figura de Eru ou Ilúvatar, que criou os Ainur, para que com sua ajuda e através de uma Música Magnífica, o vazio fosse preenchido. Os Ainur executaram a música, porém o mais poderoso entre eles, Melkor criou uma dissonância, rebelando-se contra Ilúvatar.

Valaquenta (O Relato dos Valar)
Catorze dos Ainur assumem uma forma corpórea e passam a se chamar Valar, vindo para terra para moldá-la. Junto com os Valar, vieram também os Maiar, espíritos de menor poder, com intuito de auxiliá-los, é nessa época que são criados os Elfos. Melkor agora chamado de Morgoth, também tinha seus aliados, entre eles nosso velho conhecido Sauron. Acontecem então os primeiros embates entre os Valar e Melkor, que é derrotado e levado para Valinor. 

The Killing of the Trees - John Howe

Quenta Silmarillion (A História das Silmarils)
Essa é a parte que dá nome ao livro, sendo a mais extensa de todas, tendo um total de 24 capítulos. Inicia-se a Primeira Era, temos aqui o despertar dos elfos (Noldor, Vanyar e Teleri) e demais raças, enquanto os Valar continuam moldando o mundo. Muitos elfos atravessaram o Grande Mar para Valinor, porém muitos permaneceram em Beleriand (Terra-Média). Fëanor um exímio ourives e filho de Finwë rei dos Noldor, cria as Silmarils, três gemas perfeitas que continham a luz das árvores de Valinor, Telperion e Laurelin. De volta a Terra-Média, Morgoth, inicia seu reinado terror, destruindo as árvores de Valinor e se apoderando das Silmarils. Os capítulos seguintes, contém toda narrativa das grandes batalhas contra Morgoth, entre elas a Dagor Bragollach (Chamas Repentinas) onde Fingolfin (também filho de Finwë) foi derrotado, além da trágica Nirnaeth Arnoediad (Lágrimas Incontáveis​​). Não podemos nos esquecer da linda história de Beren e Lúthien. um homem e uma elfa que passaram por muitas provações. Há ainda a história de Turin Turambar, que seria melhor explorada posteriormente em Contos Inacabados, e no excelente Os Filhos de Húrin. E por fim a Guerra da Ira, que conta a destruição do exército de Morgoth e seu banimento definitivo de Arda.

Lúthien - Ted Nasmith

Akallabêth (A Queda de Númenor)
Já na Segunda Era, somos apresentados a Númenor, uma terra entre Valinor e a Terra-Média, habitada pelos Homens, que caíram em desgraça aos rebelar-se contra os Valar. Númemor é tragada então pelo mar. É nessa era que Sauron, discípulo de Morgoth ressurge.

Dos Anéis do Poder e da Terceira Era
Aqui temos os acontecimentos que precedem a Saga do Anel, como a criação dos anéis do poder por Sauron, sua primeira derrota, a queda de Isildur e a chegada de Gandalf e os demais magos na Terra-Média. 

The Fall of Númenor - Darrell Sweet

Esse foi um pequeno relato do que encontramos nessa obra magnífica. Seria impossível resumir tamanha riqueza em tão poucas linhas sem perder muito de sua essência. A quantidade de personagens, locais e outros termos podem assustar a primeira vista, por isso recomendo uma leitura sem pressa, pra não perder o fio da meada. 

Tolkien não gostava de alegorias, mas é quase impossível não traçar paralelos em alguns pontos, como o Ainulindalë e a visão cristã da criação, a rebelião de Melkor e a rebelião de Lúcifer, ou Númenor e o continente perdido da Atlântida. É muito comum ver diversas pessoas criticarem O Silmarillion, justamente por esperarem mais uma história sobre hobbits, mas diferente de O Hobbit e de O Senhor dos Anéis, presenciamos a gênese mitológica de um mundo, com todos seus pormenores, que seria o pano de fundo pra essas sagas posteriores. Tolkien criou não apenas personagens e locais, mas um universo verossímil, povoado de raças fantásticas, línguas e costumes, com aspectos históricos e geográficos, que bem poderia ser a mitologia de nosso mundo, sendo essa uma das intenções do Professor. 

White Ships from Valinor - Ted Nasmith

O Silmarillion é um livro fantástico, que merece não apenas ser lido, mas estudado e discutido. É com sua leitura que podemos realmente dividir os leitores entre fãs de Tolkien e fãs de O Senhor dos Anéis. Aconselho aqueles que ainda não leram que leiam, e se deleitem nessa fantástica obra do Professor. Para aqueles que já tentaram e torceram o nariz, tentem mais uma vez, dessa vez tendo em mente que não se trata definitivamente de uma história de hobbits.

Até a próxima!!! 

4 comentários:

  1. Incrível como os trabalhos de J.R.R. Tolkien fascinam pessoas de várias épocas. E ele conseguiu criar um riquíssimo universo, com mitologia e até cultura próprias, que influenciou muitas obras posteriores. Mais incrível é pensar que seus livros são relativamente recentes, mas já têm um status de leitura clássica.

    Admito. Não li ainda nenhum livro de Tolkien, mas reconheço o valor de suas obras, pois estive exposto a várias outras que foram influenciadas por elas e conheço o nome do Professor desde os anos 1980. E incrível como ainda existe material que só foi descoberto ou publicado só após sua morte. Como esta, que é a cosmogonia e, portanto, peça importante de seu universo.

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    1. Realmente Usys, o Professor Tolkien revolucionou a maneira de contar histórias de fantasia, se afastando do rótulo de histórias apenas para crianças. Nós só temos acesso a todos esses escritos do Mestre, graças ao belo trabalho de seu filho, que dedicou boa parte de sua vida a continuar o seu legado. Já que você não leu nenhum dos livros ainda, aconselho começar pelo "O Hobbit", que além de ser um livro pequeno, é bem dinâmico e divertido, depois você me diz o que achou.
      Grande abraço!!!

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  2. Grande Yanker,

    li esse livro 2x seguidas, assim que compre o "box" completo. Gostei bastante, apesar de ter achado bem cansativo em algumas partes, mas muito esclarecedor e de uma criatividade ímpar.

    Confesso que me desanimei quando li o Hobit, achei o livro chato e não o terminei; pulei direto para o Senhor das Anéis depois, acabei parando a leitura pois comecei à assistir os filmes...

    Outro livro, que pareceu-me interessante - Contos Inacabados - vale a leitura. Fica como sugestão ao amigo!!!

    Ótima resenha, forte abraço.

    Marcius Victor.

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    1. Valeu Marcius! Senti falta de suas participações por aqui.
      O Silmarillion é realmente um livro difícil, principalmente quando é lido logo após "O Senhor dos Anéis", a configuração da Terra-Média e os personagens são totalmente diferentes do que estamos acostumados na Terceira Era. É como eu disse na resenha, é um livro pra ser estudado, sem pressa. Pena que achou "O Hobbit" chato, ele tem um tom mais leve, de aventura, diferente da Saga do Anel que é mais épico. Eu adoro os livros, mas também gosto dos filmes, em breve falo deles por aqui também. Ah, sobre Contos Inacabados, esse já está na estante faz tempo, em breve sai a resenha.
      Grande abraço!!!

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